Castor Gonçalves de Andrade (1926-1997) — Bicheiro e patrono da Beija-Flor de Nilópolis. Nascido em Rio de Janeiro, RJ, morreu em Rio de Janeiro, RJ.
Biografia
Castor Gonçalves de Andrade nasceu em 15 de maio de 1926 no Rio de Janeiro, em família modesta da zona norte carioca. Começou como apontador nos anos 1940 no bairro de Bangu, subiu na hierarquia da banca local durante os anos 1950 e, no início da década de 1960, já era banqueiro-chefe de uma das maiores operações do estado.
Consolidou seu poder na relação simbiótica com o Carnaval. Em 1970, tornou-se patrono da Beija-Flor de Nilópolis, escola que ergueu do anonimato para o topo do Grupo Especial nos anos 1970-1980. A Beija-Flor conquistou seis títulos sob seu patronato — quatro deles em sequência (1976, 1977, 1978, 1980).
Castor era o rosto público do jogo do bicho brasileiro: dava entrevistas, mantinha proximidade com generais do regime militar, financiava campanhas políticas de direita e esquerda simultaneamente, e transitava sem constrangimento em galerias de arte, camarotes oficiais e reuniões da CBF. Presidiu o Bangu Atlético Clube nos anos 1980.
A queda veio em 25 de maio de 1993, com a Operação Cachaça da Polícia Federal. Agentes que vasculharam sua casa em Bangu apreenderam uma caderneta com nomes de policiais, delegados, juízes, políticos e empresários que recebiam propina — prova pública inédita do sistema de proteção. Foi condenado a seis anos por formação de quadrilha.
Cumpriu parte da pena em regime fechado no Complexo Penitenciário de Bangu. Foi progredido para regime semiaberto por questões de saúde e morreu de infarto em 16 de abril de 1997, aos 70 anos, semanas depois de deixar a cadeia. Seu velório reuniu milhares de pessoas em Bangu.
Marcos importantes
- 1926 — Nasce no Rio de Janeiro
- década de 1940 — Inicia carreira como apontador em Bangu
- 1970 — Assume patronato da Beija-Flor de Nilópolis
- 1976-1980 — Beija-Flor conquista quatro títulos sob seu comando
- 1993 — Preso na Operação Cachaça; caderneta expõe rede de propina
- 1994 — Condenado a seis anos por formação de quadrilha
- 1997 — Morre de infarto no Rio de Janeiro, aos 70 anos
Legado
Castor de Andrade permanece o bicheiro mais icônico da história brasileira — figura pública, financiador cultural e prova viva da simbiose entre jogo do bicho, Carnaval e política no Rio de Janeiro do século XX. A Operação Cachaça e sua caderneta reconfiguraram permanentemente a forma como o Judiciário trata a exploração do bicho.
